VAMOS FALAR SOBRE CIÚMES?



                   

                               VAMOS FALAR SOBRE CIÚMES?

Muitas mães e pais chegam ao consultório com relatos de ciúmes entre irmão. São histórias diversas, algumas engraçadas, outras assustadoras. Já vi casos graves envolvendo psicose infantil e também casos simples, em que uma simples conversa resolve.
Mas o que venho falar aqui é mesmo sobre o que é o ciúme, porque ele se manifesta, intensidades de ciúmes e os reais perigos que envolvem esse comportamento.
Existem diversos tipos de ciúmes. Tem os que envolvem adultos e os que envolvem crianças. Envolve relacionamentos afetivos e gera desconfiança, brigas e até mortes. Tem o ciúme que envolve colega de trabalho e compromete o relacionamento na empresa. Tem o ciúme do jardim da vizinha, da professora que ganhou um prêmio, do companheiro que foi promovido, da amiga que viajou para um lugar lindo com outra colega e não te convidou. Enfim, existe uma infinidade de casos envolvendo ciúmes. Ou inveja, se preferirem, porque a inveja nada mais é do que um ciúme de adulto.
O ciúme é o temor da perda. É complexo porque envolve um extenso conjunto de emoções humanas, e por ser um sentimento, tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. É um sentimento natural ao ser humano, e todos nós já experimentamos em alguma circunstância da vida. O que fazemos com ele é o que nos faz crescer ou decair.
Por exemplo, se sinto ciúmes da promoção que minha colega recebeu, e por isso me esforço mais para também receber uma promoção, estamos diante de um ciúme positivo, que nos faz crescer. Mas se, nessa mesma situação, eu inicio uma sabotagem ao trabalho da colega, uso simulação de afeto, gero inimizade e desconforto para todos, estarei diante de um ciúme negativo, que compromete as relações sociais e o andamento da empresa.
O ciúme se manifesta na infância, e é comum que a criança queira toda a atenção da família. O mais comum é entre irmãos, mas as crianças sentem ciúmes das mães, dos pais, dos avós, das tias, etc. Não dá pra saber exatamente quando ele começa, mas vemos bebês bem pequenos demonstrando insatisfação quando as mães conversam com alguém enquanto amamentam ou quando querem dormir.
Quanto à sua intensidade, também é impossível de se medir, porque estamos falando de um sentimento, e ele não é igual para todas as pessoas. Mas sabemos que algumas pessoas são mais desapegadas e raramente sentem ciúmes. O que vejo é que o ciúme está muito ligado à autoestima e à autoafirmação. Pessoas que se amam, que se sentem realizadas e que se aceitam como são costumam lidar melhor com o ciúme. Mas não há como ter uma medida exata de como esse sentimento se manifesta interiormente.
O ciúme pode ser perigoso quando se apresenta de forma intensa e descontrolada. Adultos que não conseguiram trabalhar o ciúme de forma adequada na infância podem criar situações complexas. Vemos muitos casos de crimes passionais, ou seja, onde alguém mata seu(sua) parceiro(a) por ciúmes e depois se mata. Temos pessoas vivendo aprisionadas em relacionamentos abusivos e/ou violentos provocados pelo ciúme. São tantas histórias que não se pode contar.
E se tudo isso é muito complexo para nós adultos, imagina para as crianças. Elas ainda estão em desenvolvimentos e geralmente não têm um vocabulário extenso, ainda não conseguem nomear o que sentem. É um sentimento confuso, uma mistura de amor e raiva, que a criança não sabe como lidar, porque ainda não aprendeu.
Vemos casos de crianças que causam danos reais em seus irmãos, e até mesmo levando à morte, por causa do ciúme. O ciúme precisa sim ser supervisionado pelos pais, quando falamos de educação infantil. Crianças que apresentam ciúmes mais intensos precisam de ajuda profissional.
Então, deixo aqui 3 dicas importantes para amenizar os sintomas dos ciúmes:
Primeiro: ensine a criança a nomear sentimentos. Logo após iniciar a fala, a criança já pode aprender a nomear sentimentos simples, como amor, raiva, alegria, tristeza. Conforme ela for crescendo, outras palavras e outros sentimentos vão sendo incluídos no vocabulário da criança. Mas não adianta nomear apenas, né. Vamos para a próxima dica.
Segundo: façam uso das palavras ensinadas. É importante que os adultos façam uso dessas palavras ao longo do dia, no cotidiano da criança, e pare pra ouvir o que a criança quer dizer. O diálogo com a criança é importante, não apenas em casos de ciúme, mas auxilia todo o seu desenvolvimento. Mas lembre-se que o diálogo com a criança deve ser adequado para sua faixa etária.
Terceiro: demonstrem amor pela criança e deixe ela se sentir segura em relação a isso. Sei que os pais amam seus filhos, mas conforme eles vão crescendo, se esquecem de dizer. Crianças pequenas são afetuosas por natureza, mas conforme vão crescendo e ganhando independência, elas abraçam menos e demonstram menos. Mas não quer dizer que não sintam. Então, criem o hábito de abraçar a criança, dizer que ama e de ouvir o que ela tem a dizer sobre seus sentimentos.
Tudo isso pode parecer simples, e alguns pais vão dizer que já fazem isso. Mas é preciso fazer de forma consciente, sabendo que esse comportamento tem um objetivo. Principalmente com a chegada de bebês. Eles costumam ser fofinhos, necessitam de muita atenção, roubam os elogios de todos e ainda ganham presentes todos os dias. Os pais sempre se preocupam com os filhos menores, que ainda não entendem. Mas devem se preocupar principalmente com os mais velhos. Adolescentes, por exemplo, não costumam falar com os pais sobre sentimentos. Mas geralmente são os que mais sentem.
Crianças pequenas também chamam muito a atenção. Dançam, riem, fazem gracinhas. Quase sempre roubam a cena. E é preciso que os pais observem como os irmãos estão reagindo a tudo isso, e iniciem um diálogo sobre o assunto. Não precisa ser na mesma hora, mas o diálogo é necessário.
Então, use dessas dicas diariamente, e reforcem a autoestima dos seus filhos. E se ainda assim o problema persistir, procure ajuda de um profissional da Psicologia. Orientação e atendimento infantil podem ser necessários em alguns casos, e o profissional poderá identificar se há ou não alguma patologia associada ao ciúme excessivo.
Espero que tenha gostado, e que esse texto possa ajudar você a esclarecer algumas dúvidas. Se você gostou desse texto, deixe sua opinião nas redes sociais:
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Um abraço
Érica Lopes

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