FALANDO SOBRE A VOLTA ÀS AULAS




FALANDO SOBRE A VOLTA ÀS AULAS

Sempre gostei de escrever, desde a escola. As antigas “Composições” eram as minhas favoritas. E amava escrever poesias. As rimas sempre tiveram um lugar especial no meu coração. E devorava os livros, todos eles. Os mais finos e os mais grossos. E esse gosto pela leitura começou cedo pra mim. Mas essa é uma outra história, que conto em outra oportunidade. Creio eu que ler e escrever fazem parte de um mesmo amor. Por isso estou aqui agora, escrevendo pra você.
Esse início de ano letivo não poderia passar em branco. Então, pensei em escrever sobre a importância de se passar para as crianças aquilo que sentimos. Amores e medos.
Você ainda se lembra do seu primeiro dia de aula? Você ainda bem jovem, com muita ansiedade, levado(a) pelas mãos de alguém da sua confiança, que de repente te deixa ali, sozinho(a), com uma infinidade de medos para enfrentar?
E como foi sua adaptação? Já parou pra pensar em tudo o que sentiu e que conseguiu guardar da emoção de ir pra escola pela primeira vez? Você brincou? Você chorou? Quantos abraços sua primeira professora te deu? Algum coleguinha te bateu?
E nos anos seguintes? Foi mais fácil o primeiro dia? Você conseguia dormir na noite anterior ao primeiro dia de aula? Posso apostar que você se arrumou rapidinho, sem que sua mãe precisasse chamar sua atenção. Até porque já estava tudo pronto e até a roupa separada, não é mesmo?
Vejam quantas lembranças e quantas emoções envolvem o primeiro dia de aula. Tanto pra quem é bem pequeno e está iniciando, como para quem está voltando às aulas, o primeiro dia é muito importante.
É dia de rever amigos, de fazer novos amigos, de saber onde vai se sentar, de conhecer os professores. E se for em uma escola nova então, tudo novo, parece que o coração vai sair pela boca e que todos estão olhando pra você.
Tempos bons eram esses...
Mas será que estamos deixando boas lembranças também para nossos filhos? A escola de hoje mudou muito e essa adaptação não é mais tão simples como antes.
As crianças de hoje brincam pouco umas com as outras. Ficam muito tempo dentro de suas casas, com internet nas mãos e poucas habilidades sociais. Apresentam timidez excessiva, dificuldade de se apresentar e de interagir pessoalmente. São inteligentes, mas não conseguem usar as funções cognitivas para se socializar.
Então, aproveite esse tempo e converse com sua criança. Conte pra ela suas experiências do passado. Fale sobre os medos que sentiu e sobre as alegrias também. Permita que a criança possa se expressar, mas sem reforçar seus medos. Conclua para ela que ao final tudo é muito bom, mas que tudo bem se sentir mal no primeiro dia de aula.
Converse também sobre as matérias que mais gostava e sobre as experiências negativas que teve com outras. E como você conseguiu superar todos os obstáculos que surgiram ao longo da sua vida escolar. Poderá descobrir que a criança pode ter afinidades com você e gostar das mesmas coisas. E também não gostar das mesmas coisas.
E cuidado com o consumismo. Muitos pais acabam comprando coisas demais e tentam substituir essas emoções por compras desnecessárias. Não são raras as vezes que adultos prometem presentes novos (e caros) para que a criança vá à escola sem chorar. E essa emoção reprimida pode vir a tona dentro da escola, longe dos olhos dos pais. Ou ficar guardado, gerando sintomas excessivos de ansiedade.
É preciso se lembrar que seu filho não é você. Que as emoções que ele sente são diferentes das suas. E que não é certo tentar esconder que você também chorou no primeiro dia de aula. Ou simplesmente puni-lo porque pra você foi tranquilo e que a criança está querendo “chamar atenção”. Pode parecer uma coisa simples, mas o início do ano letivo é cheio de emoções.
E sem contar que tem pai e mãe que choram quando o portão se fecha e sua criança fica na escola. Não entendem como ela pode simplesmente acenar as mãozinhas e ir brincar. Como se nem sentisse a falta deles. Não é porque foi difícil pra você que também será pra sua criança. As pessoas são diferentes, com emoções diferentes.
Então, vão aí umas dicas de volta às aulas:
·         Converse antes com a criança, deixe que ela se expresse e você também;
·         Nada de fazer barganhas, trocando presentes para ir à escola;
·         Compre apenas o necessário que consta na lista da escola. Mas um pequeno mimo pode vir, se acompanhado de palavras de incentivo. Afinal, é difícil resistir diante de tantas novidades nas papelarias;
·         Não se atrase para buscar a criança nas primeiras semanas. Principalmente se a criança for pequena, e for a primeira vez dela na escola. O atraso aumenta a insegurança;
·         Abrace a criança ao encontrá-la. Lembre-se que o tempo passa rápido e que mais tarde será um “mico” ganhar abraço dos pais na escola.
Se mesmo assim a criança persistir em chorar, se apresentar sintomas típicos de adaptação por períodos longos de tempo, o ideal é buscar ajuda profissional para avaliar os motivos. Pode ser que a criança apresente dificuldades de aprendizagem ou pode estar sofrendo bulling na escola, por exemplo. Se a ansiedade e /ou choro persistirem, procure um Psicólogo para avaliação.
Viu como pode ser mais simples do que parece. Com pequenas atitudes, a criança poderá iniciar o ano letivo sem sofrimento e ainda aprender a gostar da escola. Sim, porque é possível gostar da escola. E gostar de aprender coisas específicas, assim como eu sempre gostei de ler e escrever. Porque estar na escola é sem dúvida o melhor tempo da nossa vida.

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Érica Lopes

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