DESENVOLVENDO LAÇOS


DESENVOLVENDO LAÇOS

            Para esse início de ano nada mais importante do que uma reflexão sobre o que realmente estamos buscando em nossas vidas. É um momento oportuno para se pensar nos caminhos já trilhados e no destino que queremos chegar.
Assim, escrevi esse texto para você que também deseja refletir um pouco mais sobre o que realmente vale a pena. Porque a vida passa tão depressa. E nesses tempos de tanta informação e internet, vejo que além do nosso tempo roubado (porque temos que admitir que passamos muito tempo online), também estamos falhando na comunicação.
Nossas crianças estão cada vez mais sozinhas e mais conectadas. E a culpa não é delas. Porque vejo filhos dizerem que seus pais não tem tempo pra brincar com elas. Sim, é verdade, muitos pais não tem tempo.
O nosso trabalho exige cada vez mais de nós. Precisamos nos preparar, estudar, criar planilhas e gráficos. Não podemos perder a chance de uma promoção. E não podemos atrasar com os prazos estabelecidos, com os compromissos firmados, com as reuniões agendadas. São tantos compromissos diários. Não temos mesmo tempo livre.
Também não estou dizendo aqui que tudo isso não é importante. Precisamos trabalhar, nos destacar nesse mercado de trabalho cada vez mais competitivo. É nossa carreira que está em jogo. E só de pensar em desemprego, chega a dar um frio na barriga. Como vou pagar as contas, sustentar minha casa, educar meus filhos? Sim, trabalhar e crescer profissionalmente é muito importante.
Mas também a família é importante. As crianças são importantes. E o tempo de infância passa tão rápido. E se você não tirar tempo para elas, se tornarão estranhos que convivem na mesma casa. E de que adianta dar educação e conforto, se os filhos se tornarem um estranho pra você?
Muitos pais chegam ao consultório dizendo que não reconhecem mais seus filhos, que não estão sabendo lidar com a adolescência, que seus filhos estão muito diferentes e que não sabem mais o que fazer. Dizem que não sabem onde eles aprenderam certas atitudes, que não sabem onde erraram.
Mas na verdade, enquanto vamos conversando, esses pais reconhecem que estiveram ausentes. Que não tiraram um tempo para ensinar os valores da família. E que agora não reconhecem os valores que aquele filho tomou para si. Que não tiveram tempo para estar com eles, e que agora não sabem por que esse filho anda com certas companhias ou anda por caminhos não desejados pelos pais.
E nem sempre há mais tempo para mudar. Hoje é real a crescimento do suicídio entre crianças e adolescentes. E aí, cabe apenas o luto e uma culpa eterna por não ter percebido o problema e por não ter passado mais tempo com os filhos.
Acho que é tempo sim de reflexão. Início de ano sempre é tempo de planejamentos. Que tal incluir um tempo com sua família? Que tal incluir um tempo para estar com os filhos enquanto eles crescem? Tempo pra brincar, conversar, abraçar, ver um filme....
É preciso pensar em dividir o nosso tempo. Trabalhar sim, mas deixar um tempo de qualidade para estreitar os laços com as crianças. Talvez possamos deixar de lado aquela promoção, que trará mais dinheiro, mas que terá que passar duas horas a mais no trabalho. Ou você pode deixar um mestrado para fazer daqui a cinco anos, quando seus filhos estiverem mais velhos. Ou você pensar em trabalhar um pouco menos, mesmo que pra isso precise abrir mão do conforto de trocar de carro no próximo ano.
Veja, esses são apenas pequenos exemplos. Mas sei que você tem seus próprios exemplos de tempo roubado pra contar. Aí eu te pergunto: qual foi a última vez que você se sentou para brincar com seus filhos? Quando foi a última história contada ou o último passeio na pracinha? Quais foram as últimas gargalhadas, as últimas refeições juntos, os últimos abraços demorados e verdadeiros? Você está conseguindo viver um tempo com eles?
Hoje vejo crianças atarefadas: escola, inglês, natação, balé, futebol, reforço escolar....ufa! As crianças estão tão atarefadas como seus pais. E não quero dizer aqui que tudo isso não seja necessário. Sim, essas e outras coisas são importantes e auxiliam muito do desenvolvimento físico e mental das crianças.
Sem contar o tempo perdido com jogos eletrônicos e redes sociais. Tem crianças que conversam mais com os pais pelo whatsapp que pessoalmente. Vejo crianças dependentes de eletrônicos e com dificuldade para fazer amigos na escola.
É preciso incluir um tempo de qualidade para as crianças. Tempo para jogar bola com seus filhos. E para andar de bicicleta, pular corda, pisar na grama, ler um livro, ver fotos antigas e contar sobre sua própria infância. Esse tempo passa muito rápido e quando vemos, eles já cresceram.
Esse sim é um tempo precioso. E não tem preço que pague esse tempo ao lado das crianças. Nada do que você possa “comprar” para elas seja mais importante do que “estar” com elas. Seus filhos precisam de você e não tem promoção que pague isso.
Hoje li um texto sobre uma mãe que parou de trabalhar depois que seu bebê nasceu. Nesse texto, ela relata que abriu mão de muitas coisas, entre elas alguns clientes, roupas novas e suas idas semanais ao cabelereiro. E que ouviu críticas severas e que a maioria das pessoas reprovou sua atitude. Mas que ganhou muitos sorrisos, viu seu filho crescer e dar os primeiros passos. E que esse tempo precioso que passou com ele foi suficiente para economizar com farmácia, leite enlatado e creche. E que no final, ela e o filho estavam saudáveis e felizes. E depois de um tempo ela pode retomar o trabalho meio período, enquanto o filho frequentava a escola.
Por que achamos tudo isso uma loucura? Por que essa mãe precisou escrever esse desabafo na internet para justificar seus atos? O que estamos fazendo com nossas famílias e nossa sociedade? E o que será do futuro das nossas crianças?
Não estou dizendo aqui que você deva largar tudo e ficar em casa. Essa decisão é pessoal e cada pessoa sabe das suas próprias necessidades. Mas é importante refletir sobre tirar um tempo de qualidade para a família. Antes que seja tarde demais.
Precisamos desenvolver mais laços afetivos. Precisamos desenvolver mais laços de carinho, de amor, de atenção, de sorrisos. Sei que chegar em casa cansada e ainda encontrar forças para brincar não é nada fácil. Também tenho crianças aqui. Mas encontrar essa força interior é sim desenvolver laços com os filhos. E esses laços são eternos.

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