A GESTANTE E SEUS DILEMAS


A GESTANTE E SEUS DILEMAS

            Quando se pensa em gestante logo vem à nossa mente aquela imagem singela e feliz de uma mãe que espera ansiosamente pela vinda do filho amado. E muita das vezes é mesmo essa a imagem que ela quer passar quando registra suas fotos de gestante.
Claro que tudo isso é mesmo encantador. Estamos falando de alguém que está gerando uma nova vida humana. E esse é um fato importante para a continuação da nossa supremacia sobre as outras espécies do planeta.
Mas nem sempre é assim. A gravidez tem lá os seus dilemas e as suas ingratidões. Muitas futuras mamães relatam o peso da responsabilidade de se gerar um filho. É um período da chamada Ambivalência afetiva, que eu vou explicar ao longo desse texto.
São relatos de medos e inseguranças, de preocupações com a sua saúde e com a saúde do bebê, preocupações com a vida financeira e com a família, preocupações com o mundo a sua volta e com as crises financeiras e políticas, e ainda com a violência que todos os dias inundam nossas casas pelos noticiários da TV. Preocupações e mais preocupações, que parecem não ter fim.
Muitas mamães reclamam da insegurança que passaram a sentir depois que descobriram a gravidez. Mulheres que antes eram decididas e corajosas, começam a chorar sem motivo e a se sentirem inferiores e emocionalmente incapazes. Algumas voltam aos medos primitivos, como medo de ficar sozinha ou medo do escuro.
Mas como explicar tudo isso? Se muitas das vezes aquela gravidez foi planejada, aquela mulher tinha tudo programado e principalmente, tinha a certeza que querer aquele filho. Por que agora se sente assim? O que mudou com a gravidez?
Porque estamos acostumadas a pensar com o senso comum. Quando uma mulher está passando por tudo isso é porque não queria a gravidez, porque não estava preparada para ser mãe, porque ela é jovem demais, porque está passando por uma crise financeira, porque o pai não assumiu a criança, porque, porque e porque....
Claro que todos esses fatores podem contribuir para os dilemas da gravidez. Mãe muitos jovens e despreparadas encontram dificuldades diferentes daquela mãe que é mais velha, e apesar de preparada, sente o peso dos anos. Um lar muito violento pode trazer medo e insegurança. Enfrentar a gravidez sozinha, quando o pai não assume suas responsabilidades pode trazer frustações e ser muito desgastante.
Mas nem sempre é assim. Mulheres decididas e empoderadas, na idade certa e que vivem em um lar feliz também sofrem com tudo isso. Simplesmente porque a gravidez tem lá os seus dilemas e toda gestante está sujeita a eles, ainda que com intensidade diferente para cada história.
Na Psicologia usamos o termo Ambivalência Afetiva. O termo está descrito no Wikipédia como: “Ambivalência é um estado de ter, simultaneamente, sentimentos conflitantes perante uma pessoa ou coisa. De outro modo, ambivalência é a experiência de ter pensamentos e emoções simultaneamente positivas e negativas em relação a alguém ou alguma coisa”.
É um estado mental de indecisão, de não se ter certeza sobre escolhas e sobre os sentimentos. Nosso cérebro tem lá suas ciladas e essa sem dúvida é uma delas. É um querer e não querer totalmente descontrolado. E sempre vem de forma intensa.
É comum ouvir relatos de mães que choram escondido, com vergonha do que estão sentindo. É uma culpa que se segue quando o não querer aparece. Como se fosse possível controlar os sentimentos perante a enxurrada de hormônios que vem com a gravidez.
Se cientificamente já foi comprovado que durante a famosa TPM (Tensão Pré Menstrual) a mulher já fica abalada, com os sentimentos descontrolados e algumas ações justificadas. Muito mais se pode notar essas mudanças durante a gestação. E com a diferença de que a TPM dura no máximo 5 dias, e aqui estamos falando de 9 meses.
É como se, de repente, os pensamentos se descontrolassem e não se soubesse mais o rumo da própria vida. Choro e riso parecem ter vida própria. Não há como controlá-los.
E a dúvida? Essa sim destrói todos os lindos sonhos que haviam antes da gestação. Porque quase todas as mulheres (mesmo as que não assumem) sonharam um dia em como seria estar grávida. É um instinto materno que nasce com a mulher.
Mas muitas mulheres simplesmente abandonam esse sentimento e decidem não ter filhos. E muitas outras adiam ao máximo essa experiência. E o principal motivo é a dúvida. A incerteza ambivalente da maternidade.
E se as mulheres não grávidas estão em dúvida, quem dirá as gestantes. Claro que sim, elas tem dúvidas sobre o futuro, e também sobre se querem ou não a responsabilidade de um filho.
Socialmente, estamos treinados a condenar tais pensamentos. As gestantes precisam estar o tempo todo felizes e amar incondicionalmente seus filhos. E esse pensamento gera ainda mais dúvidas e sentimentos de culpa, porque os pensamento negativos insistem em aparecer, e a mulher se sente envergonhada por não ter controle sobre eles.
Tudo isso pode levar a gestante a sintomas depressivos, e por vergonha de buscar ajuda, desencadear a uma depressão pós parto, ou uma crise de ansiedade generalizada, transtornos muito mais difíceis de se tratar.
Quando escrevi esse texto pensei em quantas situações podem ser evitadas se a sociedade conhecer mais sobre o assunto e se as gestantes buscarem ajuda profissional já nos primeiros sintomas.
A Psicologia Perinatal veio para auxiliar as gestantes a passar por todo esse período de Ambivalência Afetiva, com um olhar diferenciado para os verdadeiros sentimentos, sem julgamentos ou preconceitos.
O Psicólogo é o profissional adequado para acompanhar o desenvolvimento da gestação e dar o suporte emocional que a gestante necessita nesse momento tão importante da sua vida, que é gerar filhos.





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